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  • Rodrigo Souza

O Atentado ao Presidente (Parte 7)


De volta a mais um plantão Dra. Sofia vive entre a tensão de atender as emergências e lembrar do bilhete recebido da mão de Marcus Grécia. O nome de seu pai ali era algo que não saía de sua cabeça. Era um tormento pensar que alguém armado, alvejado pela polícia, teria em um dos bolsos o nome de seu pai e mais seis. Ele saberia quem ela era? Como teria contado com a sorte de trombar na porta de seu carro? Nada fazia sentido. Ao olha para o nada, vê um rapaz no final do corredor olhando por uma porta entreaberta. Um rapaz de olhos puxados, moreno, com um olhar curioso. Ele a olhava como quem olha para um mapa, como quem quer entender o caminho de seu destino. Ele percebe que está recebendo o mesmo olhar em retribuição. Era Yuri. Ele foi ao Hospital Santa Helena se consultar de uma dor de cabeça intensa. Mas na verdade intensa era sua vontade de saber que tipo de ponte seria Sofia. Para onde levaria aquela ponte. Ela sai da sala em disparada para mais um atendimento. Depois de um considerável intervalo de tempo ela retorna e o rapaz não está mais lá. No fim do plantão, na saída para o estacionamento, alguém pega em seu ombro. Sofia se assusta.


- Desculpa. Doutora Sofia?

- Que isso? Que susto. Pois não?!

- Eu sou Yuri. Eu sou jornalista. Eu tenho uma pergunta para fazer para a senhora.

- Não me chame de senhora - interrompe.

- Desculpe...

- Não precisa pedir desculpas – interrompe novamente.

- Certo, des... ok. Eu preciso saber se a senhora/você conhece Marcus Grécia.

- Sim. Ele está em todos os jornais de uns dias pra cá.

- Você o viu alguma vez pessoalmente?

- Não. Eu preciso ir.

Yuri agradece e percebe na voz trêmula de Sofia a presença de algo estranho. Ele não se contenta, mas sabe que não é hora de insistir.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Rogério aguarda a filha chegar dentro de seu carro. Ele tem uma cópia da chave do apartamento da filha. Decide subir. Rayol destranca calmamente. Olha com calma onde cada coisa está. Caminha pelos corredores do apartamento bem iluminado. A luz da manhã pacifica o ambiente. Ele vai até uma pequena mesa no final do corredor. Abre a gaveta. Retira um envelope de dentro do bolso do casaco. Coloca calmamente na gaveta. No mesmo momento o som da fechadura recebendo o encaixe da chave. Era Sofia. Ele dá meia-volta e se dirige a cozinha e de lá grita em tom mediano, sem assustá-la, que em breve sairá um café. Sofia sorri. Fazia tempo que não recebia esta honra. De nada desconfia. Rayol a abraça olhando sem objetivo, um olhar perdido para a janela. Lá fora, um fiat uno. Yuri está ali.

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