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  • Rodrigo Souza

O Atentado ao Presidente (Parte 12)



No avião, Rayol utiliza o telefone da aeronave para ligar para Sofia. Ela não atende. Resta deixar uma mensagem na secretária eletrônica.

- Minha filha. Eu posso e vou te explicar tudo. Imagino, pela sua inteligência notável, que já sabe de tudo. Não tire conclusões precipitadas. Amo você. Me perdoe por não ter esclarecido tudo antes. Ligo novamente amanhã.


Sofia e Yuri ainda estão no casarão abandonado de Grécia. Um barulho vindo do térreo assusta a recém formada dupla. Eles apagam as lanternas. Notam que, no mínimo, duas pessoas estão entrando. A tensão é quase palpável. A respiração de Yuri é pesada, a de Sofia parece ser amplificada. O coração bate fazendo vibrar o corpo inteiro.


- Alguém esteve aqui.

- Ou ainda está.

Os dois conversam e andam com suas lanternas focando as marcas de mão na mobília abandonada a poeira e ao esquecimento. Yuri pega Sofia pela mão e segue para uma outra saída como se tivesse conhecimento do ambiente. Eles descem uma escada barulhenta.

- Tá ouvindo isso?

- Sim. Tem alguém aqui.

Os sussurros dão lugar a gritaria. Quem está aí? Um deles grita enquanto corre. Yuri arrasta Sofia que já não crê que aquilo tudo seja real. Um disparo ecoa pela vizinhança. O silêncio como um fio de navalha cortou a escuridão. É aquele tipo de silêncio que é o prenúncio de algo grandioso.

Fernanda Delfino está com Vittoriano. Eles iniciam a noite com um bom vinho. O vinho é a bebida que irriga as terras íntimas e acorda com um choque de calor líquido a semente do sexo. É isso que ele quer para aquela noite. Ela tem aquele que é seu único obstáculo dentro do Grupo de Jenner embarcado em seu avião indo para um lugar que ele pensa ser Miami. Sim. Pensa. A noite não ainda de comemoração, mas é noite da expectativa da vitória. Delfino e Vittoriano ali eram pura vazão das punções. Eram animais que se embragavam da adrenalina da expectativa por um projeto de poder. Ela era dominante ali naquele quarto assim como era dominante em seus negócios. Vittoriano era totalmente entregue, pois via nela uma espécie de Diana, a deusa romana da caça. Eles amanhecem ali entregues a sentimentos ignóbeis que o vinho costuma despertar.

Sofia chega a sua casa depois da noite em que mais esteve perto da morte, mesmo lidando com ela nos dias de seus plantões. O corpo de Sofia era todo tensão, todo cansaço, bem como sua mente, bem como sua alma. Aquele disparo daquelas pessoas que não se sabe quem são. Aquilo tudo parecia um filme que infelizmente ela estava com seu nome no enredo. Nome dela e de seu pai. Ela agora sabe que ele está no centro de uma trama que ainda está por compreender. Tudo isso havia sido planejado por Marcus Grécia? Até que ponto seu pai a estava manipulando? Ela olha para a pasta que ficara em sua posse sob a promessa de remeter cópias para Yuri. Será que ela enviaria todas as cópias? Será que retiraria seu pai do centro daquilo? Ela não sabia. Nem Yuri.

Nas mãos de Sofia o destino do Grupo Jenner. O destino de seu Pai. E a redenção de Yuri.

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