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  • Rodrigo Souza

Penso logo escrevo



Faz tempo que eu não escrevo para que outras pessoas leiam. Eu fazia muito isso anos atrás.

Escrever é uma das coisas que mais me faz bem. E isso faz desse espaço um espaço de egoísmo. Escrevo aqui pra manter resíduos de sanidade mental num cuidado por mim mesmo que faço questão de ter. Faço hoje de modo que não me afeta muito a quantidade de pessoas que vão ler. Não digo que não me afeta por completo, seria mentira, do contrário eu apenas escreveria e guardaria.

Por quê escrever para os outros lerem? Eu não sei bem o porquê.


Escrever é alguma coisa que congrega. É como quando a gente fala ao mesmo tempo a mesma coisa que o outro falou. Sabe? Não dá pra não sorrir, ou não se surpreender. Deve ser algo assim.


Eu estava doido pra escrever sobre o Corona. Que é o motivo que nos fez parar a vida. Como é que não vou pensar sobre algo que fez parar tudo?! Queria escrever alguma coisa pequena. Aí me imaginei o próprio vírus. E olha que eu nem usei nenhum entorpecente. Eu fiquei pensando sobre ele. O que ele pensaria se ele pensasse. E se ele pensasse, o que ele pensaria sobre nós que pensamos que pensamos. Sapiens Sapiens. Aí soltei:


“De superfície em superfície. Eu vim de longe. Eu vim do outro lado desse sistema. Esse globo. É, é um globo. Embora muitos deles achem que é plano.

Eles não entendem nada sobre plano, inclusive, aproveitando a deixa, tanto é que estou aqui até escrevendo em blog. E vou longe. (obs: eles ainda usam blog)

E nem compreendem que são um só. E que adoeço lá e cá com a mesma dedicação. Eu sou o mesmo aqui e lá. Eles não compreendem que são um só, aqui e lá. Eles se veem muito diferentes entre si. Uns considerando que os outros são menos importantes, menos interessantes, menos necessários.


Vivemos o tempo em que um vírus é mais consciente que seres humanos.”


Aí eu vi e concordei com o corona. Mesmo ele sendo eu nessa hora. Não foi ele quem escreveu, claro. Fui eu. Mas quando eu disse pra mim mesmo que o que eu escreveria seria o que ele teria a dizer, aí foi ele.


Escrever é bom demais. Dá pra ser um vírus e fazê-lo pensar. Vou voltar.

Já voltei.

Até a quarentena acabar.





Agora eu fiquei pensando... será se fui eu quem fez ele pensar, ou foi ele quem me fez pensar o que ele pensaria se pensar ele conseguisse? Será que ele não consegue mesmo?
Você conseguiu ler e entender o que eu pensei?
No que você está pensando?

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