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  • Foto do escritorRodrigo Souza

Carta de Moscou


Querida camarada,


De todos os argumentos políticos possíveis dentro de um horizonte revolucionário encontramos em ti a síntese da tese de que o amor dói e da antítese de que o amor cura. Findou claro de que não haveria como não deliberarmos de forma coletiva todos os membros de meu corpo ao saberem de ti entram em comum acordo - "uni-vos!"

És de um amor tão comunal, fiel aos nós de aço atados nas bases do quadril da tua análise conjuntural, quando ficas em posição de recepção do argumento construído, edificado, elaborado, com uma gentileza selvagem tu te calas, se for preciso. Ainda que o instrumento de tua política, tua boca, tua vontade e querer, cheios de pontos de vista alcancem com um calor revolucionário a pele, no fino do tino político, no ponto exato de trazer ao tecido social em crise, rígido e já de temperatura elevada de ânimos, um lenitivo pré-revolucionário. Uma ação controlada, portanto, preliminar ao momento conciso. Assim constróis com teu ato sempre político, um campo para uma revolução madura.

Uma revolução horizontal. A única coisa vertical é o martelo que empunhado com o braço em veias pulsantes reflete a luz do intenso brilho que vem do fio afiado da navalha da foice do comunismo nosso. Me faltou ar para redigir com vírgulas.

Fica manifesto em todo teu movimento que ali está uma usina de tudo que é vida e que compartilhas soprando um vento forte/suave no ouvido que nos impele ao dado momento, o ápice da classe, o ato perfeito, auge da energia política que de todo modo é prazer e êxtase da vontade íntima. O momento em que a centelha revolucionária começa a queimar a alma que plana sob os pêlos arrepiando a vontade de revolver os lençóis sociais, a epiderme arrepiada pela língua comum da consciência de classe. Tua classe. Teu lugar de quem sabe que há muito suor por escorrer diante do quanto ainda se deve aplicar de vida no que sentes. É inspiradora. Sentas fileira com a dedicação na lida, usa todo o recurso do corpo e, ainda assim, não deixas faltar nada, apesar do cansaço dele.

Muitas vezes nas mãos do trabalhador além de calos, ficam memórias. Quanto mais para a ponta dos dedos se caminha, mais memórias de atrito da força do labor se encontra. Quanto mais para a ponta da língua, mais sabor de suor, do suor de ter deixado tudo o que havia de energia para aquele dia, naquele ato.

A vanguarda te escreve, companheira, mandando saudações para os camaradas por aí de tua família. Certamente não retornaremos a nos encontrar.

Viver na clandestinidade tem dessas torturas que minam a alma revolucionária. Até a vitória, camarada!


Viva a revolução.


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