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  • Foto do escritorRodrigo Souza

A terra do Nunca


Certo dia um rapaz chamado Nunca saiu andando e tropeçou num objeto que estava escrito “Não”. Nunca foi encantado pelo Não e se deixou levar por aquele afeto que a todos, vez ou outra, arrasta. Ao perceber que dentro dessa caixa havia outra muito menor, abriu os olhos com uma surpresa luminosa. Dentro dela havia uma outra caixa escrita Sim. Era como se Não fosse o berço do Sim. Ele apanhou aquela caixa e a balançou levemente. E levemente dela soou algo. Era uma espécie de gravação. Numa linguagem diferente. Soava como música e como código ao mesmo tempo. Assim dizia: Me chamam de Sonho, mas meu nome verdadeiro é Desejo. O Nunca tinha em mãos o Não, o Sim e o Desejo. Daí em diante o Nunca decidiu trocar de nome. Quis um nome que fizesse jus ao seu novo modo de se saber. Entrou no cartório, bem vestido, cabelo bem penteado, sapatos brilhantes e disse:


- Senhor, por gentileza, meu nome é Nunca. Gostaria de trocar todos meus documentos e tudo que diz respeito ao meu trajeto até o dia de hoje.

- Pois não, Sr. Nunca… qual o sobrenome?

- José Nunca Ir Muito Distante de Uma Margem Segura

- Certo. E qual será sua nova alcunha?

- Sempre.

- Sempre e o que mais?

- Sempre em Companhia do Sim e do Não Encaro Meu Desejo e Vou

- Certo, Sr. Sempre. Assine seu novo nome aqui, e aqui. Ah, e aqui também. Muitos papéis. Não é coisa simples mudar de nome.

- Ah, dará certo. E o seu nome? Desculpe. Não tive a educação de perguntar.

- Me chamo Eu.

- Certo. Eu, apesar de tudo, levo algo de meu antigo nome.

- Eu também.

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