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  • Foto do escritorRodrigo Souza

Não há poema sem musa


Não há poema sem musa

Assim como o galo não tem manhã que o confunda

Assim como a dor que de tanto doer se torna profunda

Assim como a cor que se vê é como o som que se escuta


Não há poema sem musa

Assim como não há orquestra que não se conduza

Pois está tudo sob a poderosa, áspera

e um tanto obtusa

A mão humana,

a coisa inconclusa

Que segura o ferro e deixa a areia escaldante

levar-se por léguas ao se precipitar da falange

Não há poema sem musa

Assim como o seio faz bem a quem os segura

Assim como a carne exala tentação na fervura

Assim como o rio acaricia a própria pele

com os pingos da chuva

Não. Há. Poema. Sem. Musa.


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