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  • Rodrigo Souza

Morte e Vida: a Lição do Marimbondo


Zuuuuuuummm… Ouviu?

Um marimbondo zuniu. Bateu as asas tão perto do meu ouvido, parecia que algo queria ter me dito. Algo secreto, indistinguível. Mas de pronto me sumiu. Algo que mais tarde só a vida tão sublime resumiu.

Zuuum… dessa vez entendi. O marimbondo era uma fêmea, um ichneumonídeo. Não que isso seja muito importante, mas confere seriedade ao que eu te digo.


Mas o tema é marimbondo mesmo. Li que os marimbondos voam com muita liberdade por aí. Já perguntei aos meus amigos do norte se o marimbondo é o mesmo que a conhecida “caba”. Enfim, não descobri quase nada. Mas tratemos do marimbondo sem que caiamos em cilada.


Como falei, é livre o marimbondo. A fêmea marimbondeando quando está voando, cheia de seus ovos, mira um outro inseto que esteja ali moscando. Vacilou. Ela pica o hospedeiro, sua ova injetando, faz-se assim o desespero. Cuida para que o inseto não se saia bem ligeiro. Se for sair debatendo o corpo inteiro, ela trata de aplicar-lhe um paralisante que logo toma o hospedeiro. Ele congela. É um vivo-morto. Enquanto o ovinho marimbondo vai comendo ele todo. Come gorduras, intestinos, só não órgãos vitais para manter-se em todo ciclo. O hospedeiro sente a dor que só a morte lhe compraz. Mas a morte galopeia numa lentidão pouco vivaz. Com o perdão do meu joguete de palavras abismais. O hospedeiro lentamente vai morrendo sempre mais. Enquanto o ovo vai crescendo na robustez dos seus iguais.


Mas que sentido terá isso marimbondo, que voando tu me traz? Por que dizeis tão de passeio com teus zumbidos atonais? Por favor seja mais claro, não alcanço seus ideais.


Ao que o marimbondo respondeu:


Eis que te digo, meu amigo. Basta ver o espetáculo que faz. Uma vida para a morte noutra vida se refaz. Parasita se alimenta de uma vida que desfaz. É o ciclo parasita para vida dos iguais.


Embora tu, leitor deste espaço, nenhum pouco entendais. Segue a vida, marimbondo. Até que morte e vida sentirais.



Inspirado no texto de Silviano Santiago - OVOS DE MARIMBONDO, UMA FÁBULA.

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