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  • Foto do escritorRodrigo Souza

Na Praça Pública: Um discurso sobre a coragem necessária para nada fazer (Parte I)





Mas antes um recado:


Oi. Me chamo Rodrigo, o rapaz que escreve.

Não sei como você chegou aqui. Se foi por divulgação ou busca, não sei. Pra falar a verdade eu não sei nem explicar como EU cheguei aqui.

Minha desconfiança é que cheguei aqui por sobrevivência. Não que eu sustente materialmente a minha vida por conta de algo que escrevo. Seria um sonho. Ou um pesadelo. Depende muito do ponto de vista.

Meu ponto de vista agora me diz algumas coisas que preciso fazer. Não sei se estou “sentindo”, como se algo me levasse a fazer, algo espiritual ou sobrenatural. Não é sobre isso, penso. Mas quero dizer que a partir desse post o NasCrônicas está encerrando como um blog.

Em breve, será feito um repositório e os textos produzidos até aqui ficarão salvos lá.

Espero que seja uma boa ideia. Não consultei ninguém sobre isso.


Hoje e sempre meus créditos são ao acaso,

às vitórias e derrotas, ao quanto amei e amo.


Abraço e boa leitura.



Eu brilho. Brilhamos! Eu sei, humildemente, que brilho como ser humano cheio de coisas incompletas e pleno de consciência de como cheguei até esse quinhão, esse lote de micro-felicidade. Eu brilho como brilham os olhos, olhando para a imagem do universo, um brilho eterno e reverberante de todas aquelas galáxias que são as pessoas que amo, amei e amarei.

As que amei, amo. As que amo, amarei. As que amarei irei encontrar na infinitude dessa singularidade. Quem vier, que venha no seu tempo e respeite o meu, respeite meu espaço, olhe o meu tamanho. Sou pequeno demais para que me ignores. Pois o não-ser também é encantador.

Sabe o que te encanta em mim? Eu estou falando com você, presente nessa praça pública. Lembra! Por pouco eu não sou você, e você não sou eu. Somos de uma mesma matéria de vida, que veio do acaso e da ignorância de nossas explicações dogmáticas.

Retomo. E te pergunto com carinho de amigo e de amante. Você. Qualquer um de vocês. Sabe o que te encanta em mim? Você! Você em mim dançando pelos meus gestos embrutecidos pelo tempo, te envolve e te reflete como um espelho belo, do mais que mal entendido, Narciso. Pobre Narciso. Condenado mitologicamente por não ter nascido sabendo amar, e assim, soube amar só a si mesmo. O condenamos, como se todos nós não tenhamos encarnado o mesmo pobre Narciso leonino enquanto nada sabemos sobre amar. Como se soubéssemos todos, tudo sobre amor, sobre amar e sobre amores, sobremesas. E rimas assim inocentes e infantis pra dizer que: você se encanta por si em tudo. E isso não é, necessariamente, algo ruim. É, antes, ver as coisas como são de fato. Elas são o resultado de sua busca. Você sempre buscou você. E você e eu nos encontramos. Nas linhas, nos beijos, no aceno, no aperto de mão, no olhar, no desejo, na íntima amizade, na discordância, ignorância, nas coisas cheias de infância, e nas coisas plenas de calor em seus efeitos de nossos corpos em movimentos de alternância. Com toda a verve pedante e freudianamente falando, se tudo é sexo, até minha saudade de ti é gozo.

Este discurso proclamo na praça pública do meu peito, na revolução em curso derrotando a tirania dos meus medos. Como diria um camarada, nossas dores também são resultado das condições impostas pelas estruturas de poder que sobre nós aplica a força capitalista, patriarcal, colonial, portanto - racista. Não sei realmente se me faço entender. O problema de não sermos todos iguais, e uns dos outros, e um do outro, mesmo nos vendo um no outro, pois não falo em termos materiais, mas em termos de modo de ser e estar, é que há que se manter a coragem para dizer “Eu te amo!” a todos que quisermos amar. Todos quanto possíveis. O quanto suportarmos a carga da escolha política de amar, amar como e quando quisermos pelo simples desejo consciente e pensado de amar.

Chega o momento de indicar a primeira coisa de que se é preciso coragem, além de dizer "eu te amo", mas também, para nada fazer sobre: O amor.


O fazer nada sobre o amor


No que diz respeito ao fenômeno químico que acelera a sinapse cerebral e encadeia uma liberação hormonal fora dos padrões de média em estado de vigília. Uma espécie de escolha a qual parecemos ter ajudado a nos constituir como espécie, com finalidade de resistir e se adaptar, essa busca que intenta realizar. A espécie de hominídeo que desespera-se pela coisa que se diz amada. Convencionou-se chamar amor. Amor - nome muito simples para definir algo simplesmente inapropriável e inalcançável por conceituação filosófica ou através de ato comportamental ou político.

- Nos comportamentos, o amor não se acanha e continua amar mesmo quando se chega ao ideal familiar pós-moderno, tudo bonito, tudo certo. Como dois e dois são cinco na música de Roberto.

- Na filosofia, o amor não se contém e avança sobre tratados, como tratores, de almas e solados.

- Em política, nem uma revolução é capaz de arrefecer isso que chamamos de amor.

Ao próximo momento, o que é preciso coragem para nada fazer sobre: o amanhã.


O fazer nada sobre o amanhã


O amanhã, carregamos como bons cristãos que fomos ensinados a ser, como o inevitável sofrimento apocalíptico que virá, para então, alcançarmos a glória de uma eterna felicidade, que muitas vezes temos a total certeza de que será enfadonha, mas nos falta coragem de dizer. Portanto, há muito mais elementos para crermos que o amanhã existirá, sim, mesmo que não estejamos aqui. E que há algo que podemos fazer sobre ele, o amanhã. Algo em nós nos diz que haverá amanhã. Assim sendo, é preciso muita coragem para nada fazer sobre isso e sobre: nós.


O fazer nada sobre Nós


Todos nós somos parte um do outro. Cada incompleto ciente de sua incompletude haverá de complementar a vida de cada um até todos nós, como teia, nos emaranhados filamentos do viver, sejamos uma coisa só e jamais isolados. Nunca mais em prantos traumáticos como nascemos todos. Até aprendemos a sermos sozinhos demais e aceitarmos isso. O que nos leva ao próximo ponto. É preciso muita coragem para nada fazer sobre: aprender.


O fazer nada sobre Aprender


Esse, do alto da minha embriaguez de agora, digo que é aquilo que nos torna infalíveis seres que vivem de errar. Aprender, como se fôssemos saborizando o elixir de nossos dias. E aos refinos das dosagens cria-se o sabor de estar vivo. Aprender e aprender a aprender. É preciso muitíssima coragem em se assumir um covarde que não quer aprender. O que me leva a pensar sobre: o fim.

Aquilo de que mais precisamos de coragem.

Coragem para nada fazer sobre o fim.







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