
por Rodrigo @ocronico
Já era madrugada. Choveu naquela noite. Noite de Natal. Eu, cheio de pressa pra pegar logo no sono e fazer chegar logo a manhã, e saber o que eu ganharia de Natal do Papai Noel. Papai Noel? Será?
Aquele ano era decisivo pra mim.
Aos meus 6 anos de idade eu me encontrava prestes a não acreditar mais no Papai Noel. Algo me dizia que aquilo era uma grande mentira. Dias antes, pensei “Mas o mundo é tão grande. Como pode numa noite, um velho gordo, entregar tantos presentes? E ainda tem o Japão, que é o lugar mais longe do mundo… E como ele faz pra entregar nas casas do Brasil que não tem chaminé e nem churrasqueira?” Algo parecia não estar certo. Eu começava a desconfiar.
Porém, me encontrava disposto a dar uma chance ao Papai Noel. Fui dormir ainda com uma ponta de fé naquilo tudo.
Eu morava numa casa de madeira com meus tios e minha avó. Ao redor, o terreno era de barro. E como já falei, naquela noite havia chovido.
Pois bem, meu tio, no meio da madrugada entrou em casa com os sapatos calçados, levemente bêbado. Dormíamos no mesmo quarto. Ele foi habilidoso, pegou algo sem fazer barulho, saiu… Minha tia, aproveitando o movimento na casa, deixou ao pé da cama o Carrinho “Bate-Volta” amarelo. Quando acordei, estava ali. Era tudo o que eu precisava. Uma prova.
Liguei bem menos para o carrinho do que para as marcas no chão. Ali eu voltava a acreditar mais um tempo em tudo aquilo. Aquelas marcas no chão foram o suficiente para dar mais um tempo de crédito ao Papai Noel. Aquele Natal foi um dos mais marcantes pra mim. Foi quando eu vi no chão do meu quarto as marcas de barro com o desenho das botas do Senhor Noel. Ninguém tirava de mim a certeza da existência desse homem. Para mim, era um ponto final. Era tudo o que eu precisava.
É amigos, na vida, tudo depende de um coração disposto a acreditar. Um coração aberto para crer. Um coração de menino, que não precisa de muitas evidências para ter certeza de algo. Um coração com fé. Uma fé infantil.
Fé. Acreditar, mesmo com um fiozinho de fé.
Acreditar, pelo menos, até o dia em que sua tia faz o favor de brigar com seu tio por ter entrado em casa com os sapatos sujos de barro.
Meu mundo caiu.
Feliz Natal, coleguinhas!





Muito bom texto, Rodrigo. Singelo e com uma pitada de humor.
Que este Natal sirva para reerguer a fé de muitos(e que não chova, dessa vez).
Abs,
Legal!!! é isso mesmo. Um coração de criança com a pureza de uma criançae o mundo se torna mais bonito. Basta acreditar. Feliz Natal!!!!
rs….. muito bom!
Feliz Natal!!! Ótimo texto!!!