Às vezes é importante ser óbvio. Pois, o problema de não ser óbvio, às vezes, é que o óbvio, de tão óbvio, torna-se o óbvio esquecido. Daí, o óbvio, quando esquecido, torna-se o óbvio preciso.
Outras vezes dizer o óbvio é extremamente desnecessário. Obviamente dispensável. Há de se pôr numa balança o peso do óbvio preciso e o do óbvio descartável. Sem contar que ler/dizer “óbvio”, gera um incômodo pra dicção. Não é? Tenho certeza que só nesse trecho inicial, dizer o “óbvio” várias vezes, despertou a vontade de parar de ler esse texto. Viu como o “óbvio” tem seus efeitos?
Me propus a fazer mais do mesmo, e ser óbvio em mais um texto.
Para clarear o enrolado pensamento inicial dessa crônica, vou ser óbvio usando a história de alguém que precisa… perdão… precisa do óbvio.
Bianca Abinader Gavinho. Médica. Cidadã. Mãe. Esposa.
Uma mulher que trabalha com vidas e que tem em si, notoriamente, o dom de cuidar. Isso, para perceber, não é preciso conhecer muito profundamente a sua vida. Basta olhar de relance, e vê-se que se trata de ALGUEM profundamente consciente de seu papel. Para quem não sabe de toda a saga vivida por ela, leia mais detalhes no http://ocasobiancabinader.wordpress.com/
Dra. Bianca, hoje, paga por agir como cidadã. Por defender o que acredita. Por ser quem é. Paga por não contentar-se com a passividade, com a anestesia e com os clichês que se tornaram ‘óbvios’, tipo: “As coisas são assim mesmo. Não tem como mudar!”. Perseguida, injuriada segue precisando do óbvio. O óbvio, que é difícil ser dito, enrolando a dicção. O óbvio, que é preciso ser dito, para que não esqueçamos. O óbvio que pra ela significa – justiça.
Cá entre nós, senhores. É óbvio – não é possível viver em paz, vivendo uma injustiça. Ninguém está contente quando é posto sob o jugo da injustiça.
E na minha contagem do “óbvio´s” passei dos 20 nesse texto.
Lendo essas linhas, das duas – uma. Ou você vai conhecer, divulgar e torcer para o óbvio se concretizar na vida de Bianca Abinader, ou, de tanto repetir com dificuldade a sequência de “óbvios”, vai procurar um Fonoaudiólogo.
O NasCrônicas volta depois da crise.
Obrigado por passar por aqui!






Bem vindo de volta! E que o NasCrônicas continue “atestando o óbvio”! ;D
Óbvio que eu tenho que passar por aqui, né?!rs
Parabéns pelo texto, Rodrigo.
E vê se continua a postar nessa joça!
Abraço, meu caro!
Fonoaudióbvio.
Obrigada por se indignar, meu querido! E pelo apoio de sempre!
Muito obrigada, de coração!
Achei formidável a forma como jogaste com as palavras; obviamente, ótimo recurso literário!
Fiquei bem seduzida a ler sobre a médica, e vou ler sobre sim. Para mim, há muito mais valor e importância quando uma pessoa, além de todas as lutas profissionais sendo médica, por exemplo, é também esposa, tem família.
De alguma forma, obrigada pelo texto. Ficou ótimo!