admin On setembro - 2 - 2010

Por Rodrigo @ocronico

Quero o direito de estar triste, oras. Deixe-me estar assim desse jeito. Tenho esse direito. Exijo respeito com meus lamentos. Eles são meus. Quero poder estar descontente. Quero dizer que não estou bem pra alguém e esse alguém não tentar mudar meu estado. Quero assumir minha tristeza e não receber abraços seguidos de fricções em meus ombros como se o calor produzido ali fosse me deixar melhor. Deixe-me aqui. Quem disse que não posso ficar assim? Quem disse que estar assim é ruim? Eu preciso dessa amargura, por hora. Eu me permito ficar assim. E é estando assim que me sinto bem, no sentido de sentir-me num nível de respeito tão alto comigo mesmo. Sou favorável ao direito de viver a tristeza que for preciso. Não há nada tão necessário que o sofrimento para que haja qualquer melhora na vida de alguém. Na minha triste opinião, é claro. É assim que vejo os monges, por exemplo. Pra mim, eles são portadores da uma tristeza que os conduz a uma enorme espiritualidade. Eles até sorriem, mas, pra mim, são tristes. Felizes homens tristes. Mais uma vez digo que isso é baseado na minha triste opinião.

Pode suscitar tristeza em você a minha reivindicação pelo direito de entristecer. Até porque é triste mesmo. Mas não cative essa, viva sua própria, cada um tem a sua. Acho importante essa exposição de nossas sofríveis tristezas. Parece amadurecer a vivência e facilitar a convivência. Pode também suscitar julgamentos de que sou depressivo. E na realidade, pode até ser mesmo. Queria ter a habilidade daqueles que suprimem o sofrimento, abafando com qualquer efêmero arremedo de felicidade. Juro que queria. Até já tentei. E sofri.

Eu também poderia apelar pra um discurso mais marxista. Dizer que a tristeza é um direito. E as indústrias farmacêuticas dizem que não. Falam de depressão e pílulas como solução. Rima ruim essa hein?! Teorias de Conspiração à parte; vou parar de falar em sofrimento.

Por hora, fiquemos acertados assim: Estou triste, mas vivo bem. Me aceite assim até que a dor passe por si. E vivamos. Antes viver uma tristeza convicta, do que uma felicidade mentirosa.

E eis uma coisa que me deixa triste. A felicidade mentirosa. Amargura ainda maior do que qualquer sofrimento.

Vou parar. Esse texto já está triste!

Observações.: 1. Nem todos os textos são autobiográficos. Nem todos. Só pra constar.

2. Foi citado 17 vezes a palavra “triste” ou “tristeza”. Será mensagem subliminar pra lhe deixar triste?

3. Não quero ver você triste. Juro! Mas se quiser… agora que eu já disse que é um direito, vou respeitar… rs…

Categorias: @Ocronico

9 Comentários to " Sobre a Tristeza "

  1. Victor Araújo disse:

    Rapaz, mas tu é triste… rsrs… texto triste, mas muito bom!

  2. (marta) disse:

    sou totalmente a favor da melancolia, hehe, sempre desconfio de gente alegre demais.

  3. Cecel Vitoriano disse:

    é nos momentos de melancolica, que surgem as verdadeiras perolas, é nesses momentos que somos mais gente, mais humanos e vemos que também sofremos, mas que o sofrimento(tristeza) nos faz crescer.

  4. josani disse:

    tens todo o direito de desfrutar da tristeza o quanto quiser… aproveite o máximo…

  5. Lissiane disse:

    infelizmente, não sei lidar com a tristeza, principalmente a minha… Confundo logo a tristeza com infelicidade.. e é assim que fico… quanto mais longa mais infeliz me sinto.. e realmente começo a me questionar.. e não gosto disso quando, isso me faz duvidar da vida… enfim… hoje não estou muito triste e nem muito infeliz… por isso vou parar porque essa conversa tá quase conseguindo me deixar assim…
    Bom… sr Rodrigo, parabens pelo texto..

  6. Suellen Aguiar disse:

    Não me suscita tristeza quando você reivindica o seu direito de se entristecer. Mas identificação.
    Concordo com o texto em todos os aspectos.
    Quem pensa que é ruim ficar triste?
    Que é verdade que todos ficam em algum momento, isso todos sabem.
    Mas muitos não admitem. E mais, escondem.
    Fingem que sempre estão felizes. Hipócritas.
    Ou não né.
    Como você falou muito bem, cada um tem a sua idéia, sua ‘filosofia’. Cabe a cada um achar a sua e seguí-la. E quando achar, siga à risca!
    Eu sigo a minha. Que é parecida com a sua.
    Maas enfim, colocarei aqui um trecho de uma música que penso estar no contexto:
    “Olha lá, quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar.” O Vencedor – Loser Manos :P
    É isso aí, não perca a glória de ‘chorar’.
    E bom texto, senhor Rodrigo.

  7. Camila Alves disse:

    Rodrigo,
    Acho que a tristeza, por vezes, é muito útil. Penso que é necessária a calmaria, a inércia da tristeza para olhar com mais calma pra vida e avaliar as coisas com maior clareza. A alegria inebria, e quem é que avalia bem alguma coisa estando inebriado?

  8. @DeiseAnne disse:

    “A felicidade mentirosa” também sou contra esse tipo de felicidade…

    Acho que a tristeza que nos faz crescer de verdade, pode parecer clichê, mas clichês também podem ser verdadeiros! Acho fundamental ‘curtir’ certas tristezas, tentar sair delas de maneira forçada, só pq a sociedade diz que o ‘normal’ é ser alegre não leva ao crescimento e nem a verdadeira felicidade…

    mas o fato é que para mim: “é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe…”

  9. Géssica Silveira disse:

    Muito boom.. enfim, conseguir através das tuas palavras, dizer o que a tristeza representa, e mostrar a mim mesmo que em certos momentos é necessário! “sorrir é bom, mas, sorrir de tudo é desespero” Pq nos esconder através de sorrisos falsos? isso sim é triste! Parabéns

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