Hoje vi na TV um touro subir uma arquibancada parecendo desesperado pela vida. O fato aconteceu na Espanha. Parecia que o salto dado pelo touro – da arena ao nível da arquibancada – fazia parte de um plano traçado anteriormente, pouco antes da abertura do portão. Acredito que ele chegou até a compartilhar com seus iguais a sua intenção revolucionária. Ele estava disposto a tentar.
O touro até conseguiu realizar parte do plano. Talvez tenha lhe faltado conhecimento da planta do estádio, os caminhos que levavam até as escadas e por fim à saída. Talvez, pensando o óbvio, ao arquitetar a fuga, estivesse contando com setas vermelhas riscadas no chão indicando o caminho ao portão principal. Mas não havia. Ele superestimou os animais que arquitetaram aquele estádio. Pena que eles estavam em bando e abateram o touro visionário. Talvez, por questão de honra, o touro feriu uns trinta exemplares daquele bando, para que esses animais adquirissem o temor e o respeito ao seu clã taurino.
Temo que ele tenha tido esse ato revolucionário em vão. Pois, pelo que diz as enciclopédias, os animais que mataram o pobre e solitário revolucionário não costumam raciocinar. Mesmo depois de traumas físicos essa espécie mantém, e por vezes multiplicam, seus atos sanguinários, destrutivos e com grande inclinação à selvageria. São tão violentos que se devoram entre si não por subsistência, mas por simples processo de falência de seu cérebro em degeneração.
Pobre touro. Só queria ir. Mas foi brutalmente abatido por tentar viver.
Mas, pode ser que alguém pense: Injusto dizer tal coisa! Não se pode julgar uma cultura. É, realmente, não se pode julgar uma cultura. É injusto julgar o touro de ter ferido trinta vítimas como lição. Eles simplesmente podem não ter saído da frente de propósito, para atrapalhar a fuga.
Mil desculpas aos touros.
Link da notícia: http://tinyurl.com/touroesp






eu julgo então. onde diz que num devo julgar culturas?…mas tbm acredito em absolutos…pelo menos sou coerente.
vi esse episodio da tourada. realmente, loucura é achar que o touro é o errado nisso td.
Já vi a seguinte incoerência: os que não julgam a “cultura” que diz que é bacana empalar um touro numa arena, pra “divertir o povo”, julgam a “cultura” aquela, onde uma moça é presa e condenada à morte por apedrejamento, por supostamente ter cometido adultério! Tais tipos de “espetáculos” não são “cultura”, são apenas selvageria, pura e simples. Essa palavra perde o sentido, quando se defende qualquer dos dois casos. Cultura não é nada disso aí, é uma outra coisa!
É isso aí, chefe, vamos defender nossos semelhantes!