tiagopaladino On maio - 14 - 2010

por @OCronico

Narrador: Em um tempo nem tão distante. Seres quase humanos viviam em florestas densas com clima sofrendo variações entre úmido, tenso, quente, infernal, chuvoso, de guerra e por muitas vezes, todos esses climas ao mesmo tempo castigavam esta espécie.

Este “quase homem”, que outrora, vivia nas copas das árvores mais altas, sempre em atitude expectante, pois animais de grande porte a qualquer momento poderiam lançar-lhes as garras ferozes e famintas, pela escassez de alimento se viu impelido a explorar novos terrenos. Essa busca obrigou a espécie a se afastar cada vez mais de seu território já conhecido. A fome fez com que este ser, conhecesse novas terras, novos desafios. O nome científico desta espécie é kuase homo politicus. E você acompanha agora, aqui, no Animal Baré Planet.

Entra a vinheta – no ar em 3, 2, 1…

Vamos às planícies das “amazoninas” e longínquas terras de Suanam. Suas florestas são lindas, cobertas por um intenso verde e povoadas por incríveis animais. Note este exemplar da espécie kuase homo politicus esgueirando-se por entre às folhagens, fitando um riacho caudaloso. Ao longe, vê a esperança do saciar de sua fome violenta, vê com água na boca. Sua respiração é mínima neste instante, os movimentos lentos, pois neste exato momento, ele olha sua caça beber água à beira do riacho, como um cervo. Ele caminha a passos mudos rumo à sua refeição saborosamente fácil. É a espécie lesadus homo cidadaun, espécie inferior, frágil, de pouco traquejo defensivo, de pensamento lento, visão curta e cérebro pouco treinado. O lesadus, totalmente despreocupado, toca diretamente os lábios na água fresca e límpida, em posição de quatro bases, entregue, saboreando a água fria e matando uma sede que castiga pelo muito caminhar nas terras perigosas de Suanam. Neste instante, nem pássaros cantam, nem animal algum move-se, pois o sagrado momento de contemplar o ávido agir do dominante da cadeia alimentar, é chegado.

Lá vai o kuase homo politicus, seus movimentos progridem em velocidade, vai da inércia à lentidão, da lentidão à explosão. Como um atleta na largada de uma corrida de cem metros livre. Lá vai ele. Salta das folhagens rumo à presa do dia, salta as pedras, uma, duas e no terceiro e penúltimo salto até o abocanhar, vê do lado oposto um macho opositor. Ele trava seus músculos, como que parando no ar. A refeição, o lesadus homo cidadaun, em desespero da quase morte, desmaia à beira do riacho. O macho opositor, também kuase homo politicus, fita os olhos em seu oponente, e num olhar a dizer – Quero desta carne também; Brada tão fortemente que todas as aves partem em retirada de suas árvores-arquibancadas.

Os dois predadores param. Se olham. Se estudam. O silêncio é quebrado pelo ranger dos dois machos. O macho opositor tem um porte maior, um clã maior, e mostra que brada como nenhum outro de sua espécie:

- UUUHHAAAAAAAAA (Eco: AAA… AAA… AAAaa…)

O primeiro homo politicus a chegar ao local, responde:

- UUHHAAAA (Eco: AA… Aa…)

Fica claro quem é o mais forte.

O macho opositor caminha em direção à sua caça facilíssima, deliciosamente desmaiada, pronta para o abate. O outro reconhece que está diante de um kuase homo politicus muito mais poderoso, portento. Com o rabo entre as pernas afasta-se do lesadus homo cidadaun para que o vencedor abocanhe o que é seu.

Palavras do Dr. C. F Okley – Doutor em Antropologia Crônica pela Universidade Municipal de São Conrado dos Dominós- MG.

“Alguns kuase homo politicus eram dotados de uma capacidade de avaliar adversários baseado no medo do embate, assim, desistindo antes da luta propriamente dita. No caso de nossa representação anterior, o primeiro macho temeu o macho opositor, por se considerar um fraco e contentou-se a mordiscar o resto da carcaça do lesadus homo cidadaun. Pois, o importante para o homo politicus, de um modo geral, é se alimentar, mesmo que não a contento. É engolir o que pode. Dilacerar qualquer tendão da presa. É voltar pra sua toca lambuzado de sangue cidadaun.”

Escavações recentes comprovam o canibalismo entre a espécie kuase homo políticus. Estudiosos levantam teorias que indicam relações perversas, hipócritas, descaradas, vexatórias, mentirosas, falsas, enganadoras, interesseiras, malignas, estúpidas, mesquinhas e mercenárias.

Em breve, em horário nobre e gratuito, teremos diariamente outras representações do kuase homo politicus. Não perca.


Entra vinheta – fora do ar em 3, 2, 1…

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Rodrigo Souza – ocronico

Categorias: @Ocronico

7 Comentários to " Animal Baré Planet "

  1. Victor Araújo disse:

    Cara… matou a pau! Fui lendo o texto e é como se visse um programa na TV mesmo… esse programa passa na TV aberta também, né! Que lembro de ter visto alguns episódios antes… rs… belo texto! Parabéns!

  2. Theilon Neves disse:

    Uhahahuahuhuahuahuahhahuahuahaua!
    Uhahauhahuhuahuahuahuahuhuahuahuauh!
    Massa foi o eco (Aa Aaa Aaaa)

  3. Muito bom, chefe. Identifiquei alguns espécimes de kuase homo politicus no texto.

    Só falta a gente começar o processo de extinção da espécie, não achas?

    Eu tenho 2 baladeiras e uma peixeira tramontina…

  4. Fabiano disse:

    Ótimo texto, meu caro! Inteligente e extremamente cabível à atual situação da próxima eleição de Suanam, ops, quero dizer, Manaus, mas infelizmente nenhum pouco fictício.

  5. João Vitor disse:

    Acho q o “kuase homo politicus” q chegou 1º viu q o outro de carater dominante vinha com um botijão de gás e uma cesta básica nos ombros, o q lhe conferiu uma aparência mais assustadora, deixando o pobre do “lesadus homo cidadaun” desacordado…. muito bom o texto.

  6. (marta) disse:

    haha, adorei. ri bastante. tenho certeza que o kuase homo politicus vai evoluindo e desenvolvendo armadilhas para pegar o lesadus…

    muito muito bom mesmo.

  7. Gabriela Costa disse:

    rsrs…….uma imaginação perfeita, criatividade….

    Parabéns!!!

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